Vanessa Molleri

#EUSÓACEITOACURA – SOBRE O CUIDADOR! Com a psicóloga Maria Clara Krause

#EUSÓACEITOACURA – SOBRE O CUIDADOR! Com a psicóloga Maria Clara Krause

COMPARTILHAR
, / 392 2

Conheci a Vanessa, mulher batalhadora e confiante, num local que para quem julga pelas aparências, não parecia pertencer a realidade dela: um Hospital para pacientes com Câncer, #sqn. Logo que me apresentei, como Representante da ABRALE, ela me tratou muito bem, assim como ela faz com todos ao seu redor, numa simplicidade e humildade muito acolhedoras. Após algumas conversas, contei que sou Psicóloga, Especialista em Psicologia Hospitalar e também Especialista em Luto, que atendo em consultório e fazia pouco tempo que estava morando em Floripa e ela, claro, me contou toda orgulhosa do seu Blog que estava em fase de gestação e sugeriu que eu escrevesse algo.

Como tudo na vida leva um tempo, demorei mas finalmente parei para escrever o bendito texto que a Vanessa me pediu: sobre cuidar do cuidador. Esse é um assunto muito amplo e que merece ser debatido, afinal, todos já fomos ou certamente seremos cuidadores de algo ou de alguém durante a nossas vidas, seja de uma planta, animal ou pessoa. E como fazer isso sem perder a si mesmo?

Resolvi começar escrevendo esse texto comentando sobre as aparências e sobre a tendência de julgarmos os outros apenas pelo que vemos, pois a maioria das pessoas que assumem o papel de cuidadoras de alguém amado, acabam tentando parecer ser mais fortes do que de fato são e não se sentem merecedoras de que também precisam de colo, cuidados, carinhos e outras formas de afeto. É válido lembrar uma coisa óbvia, não existe super homem ou super mulher e todos temos falhas e também estamos nessa vida para errar e aprender.

Quando me refiro a cuidador, pode ser um profissional da área da saúde, um membro da família que cuida de outro que está debilitado (temporariamente ou definitivamente), ou qualquer pessoa que esteja tentando ajudar, da melhor forma que encontra, alguém que está num período de vida difícil e delicado. Ou seja, cuidador é alguém que precisa se dedicar a outra pessoa e, para isso, é claro, essa pessoa precisa primeiramente cuidar de si. Pode parecer ser clichê, mas tem uma frase que resume bem isso, que não lembro onde li mas que gosto muito: “Dizer que não tem tempo de cuidar de si, é o mesmo que dirigir um carro quase sem gasolina e não parar para abastecer porque diz que não tem tempo”.

Tudo na vida precisa ser dosado e os excessos sempre atrapalham e, quando se pensa em cuidar de alguém é importante ter isso em mente, pois geralmente quem cuida tende a negligenciar sua dor /sofrimento /angústias ou quaisquer outros sentimentos, pensando que não tem relevância perto do que sente a pessoa que cuidamos e, é aí que já estamos cometendo o primeiro erro.

Claro que essa pessoa pode estar precisando de mais cuidados que você e está mais fragilizada e dependente do que você, mas para se conseguir ajudar alguém, precisamos primeiro dar atenção e relevância aos nossos próprios sentimentos, para reconhecer nossos limites e quando é o momento de pedir ajuda para um terceiro, quarto, quinto elemento ou quantos forem necessários.

Para não ficar muito grande esse texto, afinal, aqui é um Blog, quero sugerir uma dica que parece simples mas que pode ajudar, uma lista de Primeiros Socorros Emocionais.

Escreva uma lista de atividades / pessoas /coisas /lugares que te fazem sentir acolhido, que ajudam a diminuir os momentos que sente tristeza ou raiva. Depois de fazer essa lista, com o máximo de coisas e atividades que conseguir lembrar que são ferramentas terapêuticas para si próprio, se questione:

Quantas dessas atividades você tem feito nas últimas semanas? Se não tem feito, quais os motivos de ter parado de fazer essas coisas prazerosas? Como fazer para resgatar algumas dessas coisas da lista para o seu dia a dia? Quais dessas coisas são viáveis de tentar fazer no momento em que se sentir triste ou com raiva?

A ideia dessa lista é ser consultada quando sentir que está faltando energia, pois quando estamos sentindo muita raiva ou tristeza tendemos a não pensar em nada de positivo e, ter isso por escrito facilita para desfocar desses sentimentos e conseguir dar atenção para si próprio. Mas atenção a essa ressalva, isso não significa ignorar seus sentimentos, muito pelo contrário, apenas desfocar deles para posteriormente, com calma, conseguir pensar com mais clareza em como agir para não seguir se sentindo dessa forma e acabarmos adoecendo.

Essa lista é apenas uma sugestão de ajuda de “gestão” das próprias necessidades, pois quem cuida não faz aquilo que as aeromoças dizem antes do avião decolar, caso entre em turbulência, “primeiro coloque a máscara em si, para depois colocar no outro”, ou seja, reconheça até onde consegue ir para posteriormente ter forças para ajudar quem precisa.

Enfim, espero que esse seja o primeiro de alguns textos que eu possa escrever para tentar contribuir nesse Blog lindo e feito com muito carinho pela Vanessa.

Com carinho,

Maria Clara Krause

(CRP 12/14075)

Contato: mariaclarak@gmail.com

Psicóloga: Maria Clara Krause
CRP 12/14075

 

 

 

 

 

2 Comments

  • Patricia disse:

    Adorei o texto da psicóloga Maria Clara. Pede para ela escrever mais mesmo! Fiz a minha lista de primeiros socorros emocionais que ela ensinou e já estou usando.

    • Vanessa Molleri disse:

      Olá Pati. Já pedi, ou melhor, implorei a ela para escrever mais! kkk…Sei o quanto é importante para todas nós, né?
      Continue usando sua listinha de primeiros socorros viu? Bj no seu coração e gratidão por compartilhar sua opinião aqui comigo!

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.